sábado, 31 de janeiro de 2026

O AMOR DEVE CONTINUAR

Formavam um belo casal. Todos diziam isso. Nos acontecimentos sociais, sempre eram invejados, pois brilhavam mais do que todos. Eram de uma cumplicidade sem igual, um amor que parecia ser daqueles de romance. 

Se conheciam desde criança; estudaram na mesma escola; começaram a namorar ainda adolescentes e quando anunciaram o casamento não foi surpresa para seus pais. Era uma inevitável e bem vinda consequência. 

Também eram profissionais respeitáveis em suas atividades. Tinham uma bela casa, uma boa reserva financeira e estavam pretendendo ter filhos. Uma vida perfeita e maravilhosa. 

Contudo neste mundo de felicidade, havia algo que incomodava os dois: como seria estar com outra pessoa? Se relacionar, conviver, ter uma vida de casal diferente daquela? 

Esse pensamento surgiu na mente dos dois de forma simultânea. Logicamente, que não iriam comentar isso numa conversa, pois tinham medo da reação do outro. Era um assunto proibido que não poderia ser mencionado. O que ele pensaria dela? O que ela pensaria dele? E também, com o passar do tempo, tal sentimento seria esquecido. 

Os anos se passaram. 

A vida deles continuava boa: no trabalho, em casa, tudo ia bem. Mas sentiam que faltava algo. O sentimento que julgavam estar morto, estava latente, exigindo uma reação. E os dois, como se nada estivesse acontecendo, tentavam seguir suas vidas. 

Mas, a vontade, o desejo era demais. E ele, depois do serviço, conseguiu levar uma colega de trabalho para o motel. E ela, depois de seu expediente, conseguiu que um colega de trabalho a levasse para o motel. No mesmo lugar, na mesma hora. 

Após os encontros, os carros foram sair e bateram. Quando um descobriu o que outro fizera, uma atmosfera de tensão se criou. Todavia, cada um abraçou o outro e até choraram de alegria. 

Em alguns dias, assinaram o divórcio. Foram morar com seus namorados. Encontram-se e conversam como bons amigos. 

O amor deve sempre continuar. De uma forma. Ou de outra.


2018


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