segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A MENINA

Aquela menina havia se tornado uma obsessão para ele. Desde que a vira, saindo da escola, não a conseguia mais esquecer. 

Em casa, com a mulher e os filhos era ausente e distante: só tinha olhos e pensamentos para aquela menina que nem sabia o nome, nem onde morava. 

O tempo passava e ele ia se convencendo que se, pelo menos, não conversasse com ela, ficaria louco. 

No momento azado, a abordou. 

Perguntou, de pretexto, onde ficava determinada rua. Ela, muito educada, lhe indicou. 

E todos os dias, ele a perguntava sobre determinado endereço e ela lhe respondia prontamente. Perguntou se poderia acompanhá-la até sua casa. Ela disse que sim, sem perceber o perigo que corria. 

Mas, o seu desejo aumentava a cada dia. E ao vê-la, assim tão perto de si, decidiu que iria sequestrá-la. 

E realmente tentou o insano ato: a agarrou e ela tentou-se desvencilhar. Pessoas surgiram para socorrê-la e logo a polícia o prendeu.

Sua família ficou atônita, pois sempre fora um dedicado esposo e pai amoroso. De fato, não se entende. As pessoas quando tomadas por uma espécie de paixão obsessiva, não mensuram a consequência de seus atos. Prejudicam os outros e, sobretudo, a si mesmas.


2003

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