quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O CASACO MARROM

Fazia um frio terrível. O vento batia nas árvores, fazendo um barulho assustador. 

Numa pobre casa, a velha mulher gemia, delirava, vítima de uma febre. Sentia a vida se esvaindo a cada minuto. 

Quem poderia chamar um médico que morava a alguns quilômetros dali? 

O médico, em sua casa confortável, sentado em sua poltrona, lia o jornal, em frente à sua lareira imensa, alheio ao frio que fazia lá fora. 

De repente, a campainha toca. O médico levantou-se e foi atender. 

Era uma garotinha, dez anos no máximo, envolta num casaco marrom: 

- Doutor, minha mãe está doente! Precisa ir vê-la agora! 

- Claro que sim! Onde ela mora? 

- Naquela casa, lá embaixo. – respondeu a menina. 

- Espere que vou me aprontar! 

O médico foi até seu gabinete, apanhou sua maleta e colocou um agasalho. 

Estava preparado para sair, mas a menina já tinha ido embora. 

- Deve ter ido na frente, avisar a mãe – pensou consigo. 

Depois de uma caminhada debaixo do frio que castigava, chegou à casa da mulher e a atendeu. A medicou e o seu quadro melhorou em pouco tempo. 

Antes de ir embora, o médico lhe deu os parabéns, por possuir uma filha tão dedicada e amorosa. 

A mulher olhou espantada e disse-lhe: 

- Filha!? Eu não tenho filha. Aliás, tinha uma filha, mas ela faleceu há muitos anos. Só o que me restou dela é este casaco marrom. 

O médico, transtornado pela fala da mulher, pediu para ver o casaco. 

Ela lhe mostrou e o homem ficou boquiaberto: era o mesmo casaco, sem dúvida, que a menina filha daquela mulher, tinha usado horas antes, pedindo ajuda para a sua mãe doente.


2003

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