sábado, 24 de janeiro de 2026

A CAIXA MÁGICA

Quando era estudante na UFLA, lá pelos idos de 2001, um professor contou-me esta historinha que julgo ser salutar e edificante: 

Um fazendeiro reclamava que sua propriedade nada produzia. Só dava prejuízos e muitas dores de cabeça. Angustiado, vivia culpando o governo, o tempo, a falta de chuvas, os seus empregados, enfim, tudo e todos, pela sua situação desesperadora. 

Um dia, um amigo indicou-lhe um sábio que, talvez, o ajudasse a resolver seus problemas. Apesar de um tanto cético, o fazendeiro acabou cedendo aos argumentos do amigo e foi conversar com aquele homem. 

Chegou onde o sábio habitava. Contou-lhe todas as suas dificuldades, todos os seus tormentos com aquela fazenda que só dava prejuízo. O sábio nada dizia; mas pela conversa daquele sujeito, ele já sabia, o que fazer. 

Foi até seu escritório e de lá trouxe uma caixa de madeira. Uma caixinha pequena, simples e comum. O sábio lhe disse que era uma caixa mágica, que iria resolver todos os seus problemas. Deu-a ao fazendeiro com a seguinte recomendação: ele deveria, todos os dias, ir com ela pelos quatro cantos de sua fazenda. De manhã, iria para o norte, à tarde para o sul; no outro dia, para o leste, e assim por diante. 

Dentro de um ano ele deveria retornar para lhe relatar o que havia acontecido. 

O fazendeiro pegou a caixa e, meio desconfiado e descrente, voltou para sua fazenda. 

No dia seguinte, começou a fazer o que o sábio havia indicado. Saiu com aquela caixa debaixo do braço e rumou para o norte, onde havia um imenso pasto para roçar. Ao ver aquele pasto tomado pela erva daninha, deu ordens aos seus empregados para irem lá e começar a roçá-lo. E assim foi feito. 

À tarde, ele caminhou para o sul, onde estava plantado um cafezal muito grande, mas sem os devidos tratos culturais. Ao ver aquele cafezal tão desmazelado, ordenou aos seus empregados que tomassem as providências. E assim, também, foi feito. 

E todos os dias, ele seguia uma direção diferente e sempre achava alguma coisa para fazer, para colocar em ordem. Tratava de consertar o mais rápido que podia. Passou a dedicar mais de seu tempo à fazenda. E não via as horas passarem. E sempre com aquela caixa mágica debaixo do braço. 

Depois de um ano, a fazenda tinha um novo aspecto. Havia melhorado sua produção e já começava a sair do vermelho. O proprietário ficou espantado: meu Deus, esta caixa é realmente mágica!

Como havia combinado, retornou à casa do sábio. Quando lá chegou, começou a contar-lhe o que acontecera: a fazenda estava indo bem. Disse que desejava ficar com aquela caixa mágica. Pagaria o preço que custasse. O sábio pôs-se rir e respondeu-lhe: 

- Meu caro, esta caixa não é mágica. É tão comum como outra qualquer. O que fiz foi apenas alertá-lo para que tomasse conta de suas coisas e que liderasse seus subordinados. Apenas isto. Nada vem fácil. Toda conquista tem seus custos. Apenas quando queremos fazer, podemos melhorar.” 

Como diriam os antigos, em sua inestimável sapiência: “é o olho do dono que engorda o boi”.


2010

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